A perfeição não me comporta. Talvez por eu não saber me comportar.
Ela, redonda, contínua, lisa, harmoniosa...
Eu, angulosa, desconexa, crespa, descompassada... cheia de pontas, arestas, cantos, lados...
Para caber nela, tenho de me podar, me cortar, me mutilar... tenho de sangrar.
Não. Não nasci para ser perfeita. Sou torta demais, desproporcional demais, assimétrica demais.
Nasci foi para o equívoco, o engano, o incerto, o insano.
Mosaico de mim, nasci para a textura, os muitos lados, a dissonância, a discrepância, o disparate.
Eu não caibo na perfeição e a perfeição a mim não cabe.
Não consigo ser perfeita. Nem quero!
Meus mundos são vários porque eu sou muitas... tantas que, às vezes, me perco de mim.
segunda-feira, 26 de março de 2012
quinta-feira, 15 de março de 2012
Desterro
Uma estrangeira onde quer que esteja. É assim que me sinto. Desterrada. Livre, talvez, de um cordão umbilical tardiamente rompido, que me ligava a algo há muito morto e pútrido. Talvez...
Livre dessa amarra, a sensação é estranha. Um desapego, uma liberdade dolorida e solitária. Aquele algo a que me estive atada por tanto tempo, embora me sufocasse, me servia de norte e de porto. era um alento. Sem isso, me perco, me expatrio. Boio num sem fim de possibilidades e não me apego a nenhuma. São horizontes demais e chão de menos.
Estrangeira, turista, forasteira, invasora não importa onde esteja. Todos os lugares me parecem paradoxalmente familiares estranhos. Familiares, talvez, por causa da minha ânsia de ver mapas, rotas e fotos antes mesmo de chegar. Estranhos, talvez, por minha própria estranheza, que se estende até às mais costumeiras paisagens.
Acho que é a minha paisagem interna que está estranha. O estranho, então, sou eu. O medo é de mim mesma. Virei uma estrangeira em mim.
Livre dessa amarra, a sensação é estranha. Um desapego, uma liberdade dolorida e solitária. Aquele algo a que me estive atada por tanto tempo, embora me sufocasse, me servia de norte e de porto. era um alento. Sem isso, me perco, me expatrio. Boio num sem fim de possibilidades e não me apego a nenhuma. São horizontes demais e chão de menos.
Acho que é a minha paisagem interna que está estranha. O estranho, então, sou eu. O medo é de mim mesma. Virei uma estrangeira em mim.
segunda-feira, 12 de março de 2012
Minha mórbida e insólita experiência na Pousada Galeão
A Pousada Galeão - na Lagoa da Conceição, em Florianópolis - foi a pior, a mais nefasta e esmagadora experiência de consumo-atendimento que já vivenciei. Incompetência, preguiça e má-fé se aliaram para criar o macabro cenário que me recepcionou à Lagoa no último sábado e que me espantou de lá já na manhã de domingo.
Chegando à Pousada, na manhã de sábado, conforme previamente combinado por telefone com o proprietário, esperei quase meia hora antes de ser recebida por outro hóspede. É que o dono estava dormindo e, pelo visto, não queria ser acordado antes do por do sol.
Fui, então, desovada em um quarto que ainda não tinha sido limpo e arrumado desde a saída do último hóspede. Pelo cheiro e pela quantidade de insetos, parecia que isso tinha sido há algumas semanas. Fui brindada com uma vassoura e um balde para que, se quisesse, limpasse eu mesma a imundície.
Obviamente indignada e frustrada, deixei minhas malas e saí para dar uma volta e render minhas homenagens ao mar (nesse caso, à Lagoa, o que dá no mesmo, já que é tudo água salgada) até que algum responsável aparecesse para resolver a situação. A paisagem fantasticamente azul me acalmou. Não dá pra ficar irritado num cenário daquele.
Ingênua, ponderei comigo mesma que tudo não passava de um mal entendido e que o dono deveria aparecer logo para tomar as providências cabíveis e me transferir para um quarto decente. Voltei à Roubada, ops! Pousada. O digníssimo continuava dorminhocando sem querer ser incomodado. Incomodada fiquei eu quando o tal hóspede que me atendeu cobrou, a mando do dorminhoco, o valor da diária. Respondi que pagaria ao próprio dono, quando ele se dignasse a aparecer.
Ao cair da noite, ele se dignou. Apareceu ameaçando chamar a polícia caso eu não pagasse o valor da diária e desocupasse imediatamente o quarto, já que, como eu não paguei antecipadamente, ele tinha alugado para outra pessoa.
Surpresa e assustada com a insólita situação e apavorada com o comportamento do sujeito, paguei a tal diária (a essa altura, já não sabia do que ele seria capaz se não pagasse e eu estava sozinha com ele na tal pousada). Saí e procurei outro lugar para passar a noite. Remarquei meu voo para o dia seguinte e voltei assustadíssima para Minas.
Analisando o caso...
Uma pousada em Florianópolis - um dos principais destinos turísticos do país - na Lagoa da Conceição - uma das áreas mais valorizadas e badaladas da ilha - bem localizada, perto de restaurantes, bistrôs, cafés, bares e até do terminal de ônibus.
Tem tudo para dar certo. Mas, o negócio tem sempre a cara do dono e, nesse caso, a cara não é boa. Em seu raciocínio fechado, o sujeito acha um desaforo ter de atender hóspedes. Onde já se viu? Gente folgada que só sabe exigir: quer quarto limpo e arrumado, sem mal-cheiro ou, de preferência, cheiroso, cama arrumadinha, café da manhã e todas essas frescuras que o tal cliente acha que tem direito de cobrar.
Mas, para sobreviver, ele precisa dos tais hóspedes. Então, para que venham muitos hóspedes pouco chatos, ele baixa o preço das diárias. A lógica é simples: preços baixos atraem muita gente, muita gente é igual a muito dinheiro entrando, além disso, quem paga pouco não tem direito de reclamar de nada. Resultado: muitos hóspedes, pagando pouco e reclamando pouco rendem um bom dinheiro.
Mas, como os preços são baixos, o lucro também não é lá essas coisas, afinal, mesmo oferecendo pouco ou quase nada, há custos a se considerar. A lógica que parecia tão boa, cai por terra. Insatisfeito, o dono se acha no direito de maltratar o clientes pão-duro que só se hospedou em sua nobre pousada por causa do dinheiro. Maltratado, o cliente vai embora, não volta e ainda fala mal da pousada.
Assim, o infeliz proprietário precisa sempre atrair novos e ingênuos clientes, dispostos a pagar pouco e ter pouco ou nada em troca. Para isso, ele precisa baixar ainda mais os preços e fazer algum investimento em publicidade (nem que seja criando um site gratuito na net, mas que dá trabalho).
E a equação se fecha:
preço baixo = atendimento ruim = cliente insatisfeito = (não fidelização + propaganda negativa) = (lucro baixo + custo de publicidade) = dono insatisfeito = atendimento ainda pior = cliente mais insatisfeito.
Ruim para a pousada, que tende a chafurdar em sua decadência. Ruim para o cliente, que se sente um trapo no lixo. Ruim para os bares e restaurantes da região, que perdem as vendas que poderiam fazer se o cliente não preferisse ir embora gastar seu dinheiro em outro lugar. Ruim para a cidade, que tem sua imagem arranhada por estabelecimentos assim que, vale ressaltar, são minoria.
Eu, pelo menos, ganhei um case novo para discutir com meus alunos. Ganhei também um bom lugar para indicar http://www.wix.com/lagoafloripa/pousadagaleaoaos meus piores inimigos, assim que souber quem são.
Chegando à Pousada, na manhã de sábado, conforme previamente combinado por telefone com o proprietário, esperei quase meia hora antes de ser recebida por outro hóspede. É que o dono estava dormindo e, pelo visto, não queria ser acordado antes do por do sol.
Fui, então, desovada em um quarto que ainda não tinha sido limpo e arrumado desde a saída do último hóspede. Pelo cheiro e pela quantidade de insetos, parecia que isso tinha sido há algumas semanas. Fui brindada com uma vassoura e um balde para que, se quisesse, limpasse eu mesma a imundície.
Obviamente indignada e frustrada, deixei minhas malas e saí para dar uma volta e render minhas homenagens ao mar (nesse caso, à Lagoa, o que dá no mesmo, já que é tudo água salgada) até que algum responsável aparecesse para resolver a situação. A paisagem fantasticamente azul me acalmou. Não dá pra ficar irritado num cenário daquele.
Ingênua, ponderei comigo mesma que tudo não passava de um mal entendido e que o dono deveria aparecer logo para tomar as providências cabíveis e me transferir para um quarto decente. Voltei à Roubada, ops! Pousada. O digníssimo continuava dorminhocando sem querer ser incomodado. Incomodada fiquei eu quando o tal hóspede que me atendeu cobrou, a mando do dorminhoco, o valor da diária. Respondi que pagaria ao próprio dono, quando ele se dignasse a aparecer.
Ao cair da noite, ele se dignou. Apareceu ameaçando chamar a polícia caso eu não pagasse o valor da diária e desocupasse imediatamente o quarto, já que, como eu não paguei antecipadamente, ele tinha alugado para outra pessoa.
Surpresa e assustada com a insólita situação e apavorada com o comportamento do sujeito, paguei a tal diária (a essa altura, já não sabia do que ele seria capaz se não pagasse e eu estava sozinha com ele na tal pousada). Saí e procurei outro lugar para passar a noite. Remarquei meu voo para o dia seguinte e voltei assustadíssima para Minas.
Analisando o caso...
Uma pousada em Florianópolis - um dos principais destinos turísticos do país - na Lagoa da Conceição - uma das áreas mais valorizadas e badaladas da ilha - bem localizada, perto de restaurantes, bistrôs, cafés, bares e até do terminal de ônibus.
Tem tudo para dar certo. Mas, o negócio tem sempre a cara do dono e, nesse caso, a cara não é boa. Em seu raciocínio fechado, o sujeito acha um desaforo ter de atender hóspedes. Onde já se viu? Gente folgada que só sabe exigir: quer quarto limpo e arrumado, sem mal-cheiro ou, de preferência, cheiroso, cama arrumadinha, café da manhã e todas essas frescuras que o tal cliente acha que tem direito de cobrar.
Mas, para sobreviver, ele precisa dos tais hóspedes. Então, para que venham muitos hóspedes pouco chatos, ele baixa o preço das diárias. A lógica é simples: preços baixos atraem muita gente, muita gente é igual a muito dinheiro entrando, além disso, quem paga pouco não tem direito de reclamar de nada. Resultado: muitos hóspedes, pagando pouco e reclamando pouco rendem um bom dinheiro.
Mas, como os preços são baixos, o lucro também não é lá essas coisas, afinal, mesmo oferecendo pouco ou quase nada, há custos a se considerar. A lógica que parecia tão boa, cai por terra. Insatisfeito, o dono se acha no direito de maltratar o clientes pão-duro que só se hospedou em sua nobre pousada por causa do dinheiro. Maltratado, o cliente vai embora, não volta e ainda fala mal da pousada.
Assim, o infeliz proprietário precisa sempre atrair novos e ingênuos clientes, dispostos a pagar pouco e ter pouco ou nada em troca. Para isso, ele precisa baixar ainda mais os preços e fazer algum investimento em publicidade (nem que seja criando um site gratuito na net, mas que dá trabalho).
E a equação se fecha:
preço baixo = atendimento ruim = cliente insatisfeito = (não fidelização + propaganda negativa) = (lucro baixo + custo de publicidade) = dono insatisfeito = atendimento ainda pior = cliente mais insatisfeito.
Ruim para a pousada, que tende a chafurdar em sua decadência. Ruim para o cliente, que se sente um trapo no lixo. Ruim para os bares e restaurantes da região, que perdem as vendas que poderiam fazer se o cliente não preferisse ir embora gastar seu dinheiro em outro lugar. Ruim para a cidade, que tem sua imagem arranhada por estabelecimentos assim que, vale ressaltar, são minoria.
Eu, pelo menos, ganhei um case novo para discutir com meus alunos. Ganhei também um bom lugar para indicar http://www.wix.com/lagoafloripa/pousadagaleaoaos meus piores inimigos, assim que souber quem são.
quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
Feira do Empreendedor - Sebrae - 2012
Achei esse texto que escrevi sobre a Feira do Empreendedor do Sebrae, de 2010... bons momentos!!!
Espero que a deste ano esteja ainda melhor
Quem visitou a Feira Emprendedora do Sebrae em Belo Horizonte, entre os dias 31/08 a 05/09, provavelmente não se arrependeu. Palestras, oficinas, debates, mesas redondas, tudo muito interessante. Além disso, a Feira é sempre um espaço privilegiado para trocas de experiências e para fazer contatos.
Espero que a deste ano esteja ainda melhor
Quem visitou a Feira Emprendedora do Sebrae em Belo Horizonte, entre os dias 31/08 a 05/09, provavelmente não se arrependeu. Palestras, oficinas, debates, mesas redondas, tudo muito interessante. Além disso, a Feira é sempre um espaço privilegiado para trocas de experiências e para fazer contatos.
Mas, esse ano, mais que fazer contatos, conhecer gente e discutir empreendedorismo e gestão, a feira me chamou a atenção, particularmente, pela efervescência de cores, luzes, sabores, cheiros, texturas e sons. Apesar do burburinho e do bombardeio de informações, comuns em eventos desse tipo, não dava vontade de sair, mesmo depois de um dia inteiro sassaricando por lá com um salto de não menos que 8cm de altura.
E sassaricar é a palavra exata para descrever minha participação no evento. Aliás, minha e da minha amiga Rosa Maria, que foi comigo e implicou com meu GPS a viagem inteira. Definitivamente Rosa e Estela não se deram bem. Mas, isso é outra história. Ficamos sassaricando porque não tínhamos um foco definido. Tá bom, tá bom. Sei que é essencial ter foco para ter sucesso, mas naquele momento eu não estava buscando o sucesso. Pronto! Confessei! Eu só queria me divertir.
Mas, voltando ao assunto, a Feira foi um intrigante entrelaçamento de elementos sensoriais, que me chamou muito a atenção. E apesar de cada estande ter suas particularidades, a Feira formou um todo coeso e bem elaborado, que aguçava os sentidos da gente.
A impressão que levei da Feira somada a outros elementos me levaram a buscar mais informações sobre como as empresas podem utilizar, de forma articulada e estratégica, os cinco sentidos para lidar com seus diversos stakeholders.
E as possibilidades são muitas. Aromas, texturas, cores, luzes, músicas e até sabores podem ser usados para “criar um clima”, para seduzir clientes e até mesmo colaboradores. O impacto de um mix sensorial bem planejado e articulado pode trazer inúmeros benefícios para as empresas e seus diversos públicos.
Aproveita e diz aí:
Que sentido isso te desperta: terra molhada; chá de hortelã; biscoito quentinho; flor orvalhada; chiclete; chocolate; bife com batata frita; por de sol; ondas do mar; abraço de namorado(a); neném no colo...
Tem coisas que a gente sente com os olhos, o nariz e o ouvido. Outras a gente percebe com a pele e a língua...
Nossas sensações nem sempre são unisensocial. Somos sinestésicos.
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012
O sono dos FDP
E dois insomes inveterados discutem sobre o sono...
- Bom mesmo é dormir o "sono dos justos".
- Dos justos? Que nada! Os justos estão sempre tão preocupados em fazer a coisa certa que provavelmente nem conseguem dormir à noite.
- Então, bom mesmo é o "sono dos anjos". Eles não têm muito com o que se preocupar. Já têm a vida ganha...
- Sei não... Anjo dorme? Aliás, anjo existe?
- Vai saber... No final das contas, acho que bom mesmo é dormir o "sono dos FDP". Quanto mais ordinária é a criatura, menos ela se preocupa com os outros e melhor consegue dormir.
- Verdade. Um dia, eu pretendo dormir como os FDP.
- É...
E faz mal mesmo, com certeza. Melhor seria se eu conseguisse dormir um soninho natural, de FDP safado e ordinário. Mas, até que eu consiga equilibrar minha vida emocional o suficiente para isso, não dá pra ficar brincando de zumbi a noite toda, todas as noites. E, pior, não dá pra ficar depois me arrastando feito uma lagartixa sem um pingo de energia durante o dia todo, todos os dias.
O fato é que, como qualquer mortal que se preze, se não durmo à noite, fico um trapo no dia seguinte. Aí, trapo, não consigo produzir, não consigo escrever, nem organizar minhas aulas, nem pensar direito. E o ciclo se fecha quando, não conseguindo fazer o que é preciso ser feito de dia, acordo de madrugada preocupada com o trabalho e fico remoendo as listas de tarefas e me culpando por não tê-las concluído ainda.
Não faço apologia ao uso de medicamentos. De jeito nenhum. Só tomo sob orientação médica e depois de ter tentado todos os outros recursos disponíveis: atividade física para cansar o corpo, suquinho de capim-cidreira, meditação, relaxamento, contar carneirinhos...
Ter que tomar remédio para dormir é ruim. Mas, não dormir é ainda pior. É por isso que, lá pelas tantas, depois de noites de coruja e dias de lagartixa, eu desisto de tentar as vias naturais e tomo meu boa-noite-cinderela. E durmo... lindamente... um soninho sem sustos... sem pesadelos... um sono de FDP ordinária.
- Bom mesmo é dormir o "sono dos justos".
- Então, bom mesmo é o "sono dos anjos". Eles não têm muito com o que se preocupar. Já têm a vida ganha...
- Sei não... Anjo dorme? Aliás, anjo existe?
- Vai saber... No final das contas, acho que bom mesmo é dormir o "sono dos FDP". Quanto mais ordinária é a criatura, menos ela se preocupa com os outros e melhor consegue dormir.
- Verdade. Um dia, eu pretendo dormir como os FDP.
- É...
........................................
E essa noite eu dormi o sono dos FDP. Sono quimicamente aditivado, é verdade. Mas dormi como não fazia há alguns dias. Andava boicotando minhas boas noites com a desculpa de que essa coisa de tomar remédio tá errada, que faz mal e tals. E faz mal mesmo, com certeza. Melhor seria se eu conseguisse dormir um soninho natural, de FDP safado e ordinário. Mas, até que eu consiga equilibrar minha vida emocional o suficiente para isso, não dá pra ficar brincando de zumbi a noite toda, todas as noites. E, pior, não dá pra ficar depois me arrastando feito uma lagartixa sem um pingo de energia durante o dia todo, todos os dias.
Não faço apologia ao uso de medicamentos. De jeito nenhum. Só tomo sob orientação médica e depois de ter tentado todos os outros recursos disponíveis: atividade física para cansar o corpo, suquinho de capim-cidreira, meditação, relaxamento, contar carneirinhos...
Ter que tomar remédio para dormir é ruim. Mas, não dormir é ainda pior. É por isso que, lá pelas tantas, depois de noites de coruja e dias de lagartixa, eu desisto de tentar as vias naturais e tomo meu boa-noite-cinderela. E durmo... lindamente... um soninho sem sustos... sem pesadelos... um sono de FDP ordinária.
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
Mendicâncias
"Ela é uma pessoa fantástica. Tem uma capacidade intelectual absurda, consegue entender e explicar qualquer coisa, sobre qualquer assunto. Tem um astral delicioso e uma energia boa que só vendo. Mas, vive mendigando a vida..."
Quando ouve isso, ela quer chorar... quer gritar... quer morrer... quer sumir... quer ir e quer não voltar... quer não ser... nunca mais...
Ela sabe do que é capaz. Sabe que tem asas, mas não consegue voar. Tem respostas para tudo e para todos, menos para ela mesma. Aliás, ela tem... ela sabe... ela entende e ela percebe, mas não consegue agir. Por que? Isso ela não sabe direito. Tem a ver com o passado. Com histórias e com fantasmas. E com uma tal de profecia.
É mais como uma maldição que diz que ela não pode ser. Ela, que nunca deveria ter sido. E ela se condena a ser sempre um quase. É a maldição de um futuro que não chega. Ela não pode deixar chegar, por mais que o deseje. E ela vive atrasando os relógios, criando obstáculos, jogando fora o que não deve e guardando o que não precisa... vive se ferindo, se cortando, se mutilando...
E assim ela segue mendigando a vida. Mendigando afetos que ela na verdade já tem. Mendigando oportunidades que ela na verdade rejeita. Mendigando poderes de que ela na verdade não precisa. Mendigando migalhas que ela na verdade não quer. Mendigando prazeres que na verdade são dores.
E ela sofre... sofre uma vida cheia de... reticências... de pausas... de não-acabados... de não vividos... Sofre uma vida cinzenta e meio amarga. Colorida apenas com alguns prazeres secundários que ela consegue quando cumpre a tal profecia. Temperada apenas com alguns momentos de esquecimento, em que ela se permite pequenices que serão punidas ou duramente recompensadas mais tarde.
E ela sofre com o espanto dos outros... que se assustam com tantas habilidades encarceradas num não ser... não poder... não conseguir... que se assustam com tanta exclamação entalada em tantas reticências e em tantas interrogações.
O que ela quer de verdade? Ora é sumir... ora é se agigantar... Vontade, às vezes, de desfazer tudo que já foi feito e começar de novo. Escrever uma história nova, sem maldições, sem profecias, sem promessas e sem expectativas, boas ou más. Vontade, outras vezes, de acabar de vez com tudo. Jogar fora o maldito rascunho e não escrever mais história nenhuma.
E ela sofre de um lado o peso da profecia e, de outro, o das promessas. De um lado o encantamento o outro e, de outro, sua frustração. De um lado a vontade de ser e, de outro, a de nunca mais.
Quando ouve isso, ela quer chorar... quer gritar... quer morrer... quer sumir... quer ir e quer não voltar... quer não ser... nunca mais...
Ela sabe do que é capaz. Sabe que tem asas, mas não consegue voar. Tem respostas para tudo e para todos, menos para ela mesma. Aliás, ela tem... ela sabe... ela entende e ela percebe, mas não consegue agir. Por que? Isso ela não sabe direito. Tem a ver com o passado. Com histórias e com fantasmas. E com uma tal de profecia. É mais como uma maldição que diz que ela não pode ser. Ela, que nunca deveria ter sido. E ela se condena a ser sempre um quase. É a maldição de um futuro que não chega. Ela não pode deixar chegar, por mais que o deseje. E ela vive atrasando os relógios, criando obstáculos, jogando fora o que não deve e guardando o que não precisa... vive se ferindo, se cortando, se mutilando...
E assim ela segue mendigando a vida. Mendigando afetos que ela na verdade já tem. Mendigando oportunidades que ela na verdade rejeita. Mendigando poderes de que ela na verdade não precisa. Mendigando migalhas que ela na verdade não quer. Mendigando prazeres que na verdade são dores.
E ela sofre... sofre uma vida cheia de... reticências... de pausas... de não-acabados... de não vividos... Sofre uma vida cinzenta e meio amarga. Colorida apenas com alguns prazeres secundários que ela consegue quando cumpre a tal profecia. Temperada apenas com alguns momentos de esquecimento, em que ela se permite pequenices que serão punidas ou duramente recompensadas mais tarde.
E ela sofre com o espanto dos outros... que se assustam com tantas habilidades encarceradas num não ser... não poder... não conseguir... que se assustam com tanta exclamação entalada em tantas reticências e em tantas interrogações.
O que ela quer de verdade? Ora é sumir... ora é se agigantar... Vontade, às vezes, de desfazer tudo que já foi feito e começar de novo. Escrever uma história nova, sem maldições, sem profecias, sem promessas e sem expectativas, boas ou más. Vontade, outras vezes, de acabar de vez com tudo. Jogar fora o maldito rascunho e não escrever mais história nenhuma.
E ela sofre de um lado o peso da profecia e, de outro, o das promessas. De um lado o encantamento o outro e, de outro, sua frustração. De um lado a vontade de ser e, de outro, a de nunca mais.
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
Sabotagem? Quem? Eu?
Dizem que tudo começou com uns operários franceses que colocavam seus tamancos de madeira entre as engrenagens das máquinas para que elas parassem de funcionar e eles pudessem descansar um pouco no horário de trabalho. Como os tais tamancos eram chamados de sabot, a prática de vandalizar as máquinas das fábricas acabou virando sabotagem.
A prática de tentar impedir o pleno funcionamento do que quer que seja é antiga e foi (e ainda é) muito utilizada em guerras, por exemplo, além das fábricas francesas e de outras nacionalidades também.
Destruir as máquinas do patrão ou prejudicar funcionamento do exército inimigo é um negócio interessante quando se quer ganhar tempo de folga num trabalho fatigante e desumano ou quando se pretende ganhar uma batalha ou até uma guerra. Bem diferente, no entanto, é destruir a própria vida por razões que, literalmente, a própria razão desconhece. E que levante a mão quem não faz isso. Eu faço! Vergonhosamente, faço!! Ridiculamente, faço!!! Descontroladamente, faço!!!!

Fico com sono quando preciso terminar algum trabalho importante. Perco a hora da aula de Ioga. Chego atrasada no Pilates. Fico com preguiça de fazer caminhada. Fico com fome de chocolate e (horror!) me empanturro de bombons. Decido fazer faxina nos dias mais impróprios, só para não ter tempo de escrever meus textos. Repito, indiscriminadamente, atitudes e comportamentos indesejáveis pelo simples (des) prazer de repetir o que me incomoda tanto. Alimento culpas, raivas, remorsos... Me perco por um tempo longo demais navegando nas baboseiras diárias do Facebook, do Google+, nas páginas de horóscopo, em blogs inúteis (inclusive o meu), procurando músicas no 4shared e vídeos no Youtube.
Boicoto descaradamente meus projetos. Me perco em ciclos viciosos de relacionamentos frustrados e frustrantes.Tento culpar os outros e, roída de remorsos, tomo o caminho mais curto e passo a culpar a mim mesma. Fico triste por sentir culpa e com raiva por ficar triste e aí preciso me recompensar. A recompensa geralmente vem na forma de algo ainda mais autodestrutivo: chocolate, cama, TV e mais e mais vadiagem virtual, disfarçada de descanso.
Enquanto isso, insisto em criar listas e mais listas do que tenho de fazer, impondo-me "uma tonelada e meia de coisas para fazer". Diante da impossibilidade de fazer tudo (e ainda vadiar pela net, limpar a casa e fazer todas as atividades que me proponho diariamente), me culpo, fico triste e me recompenso das mais cruéis maneiras.
Sinto saudade do tempo em que não percebia isso. Do tempo em que poderia escrever esse texto sem receio dos castigos e, mais tarde, das recompensas, que me imporia. Do tempo em que as coisas eram menos claras, mais embotadas, menos conscientes e, consequentemente, menos dolorosas. Hoje, além das dores da culpa, da raiva, da tristeza, dos castigos e recompensas tortas, ainda tenho a consciência do processo.
Tô criando um sabotômetro... para registrar o que eu tenho feito comigo mesma.
A prática de tentar impedir o pleno funcionamento do que quer que seja é antiga e foi (e ainda é) muito utilizada em guerras, por exemplo, além das fábricas francesas e de outras nacionalidades também.
Destruir as máquinas do patrão ou prejudicar funcionamento do exército inimigo é um negócio interessante quando se quer ganhar tempo de folga num trabalho fatigante e desumano ou quando se pretende ganhar uma batalha ou até uma guerra. Bem diferente, no entanto, é destruir a própria vida por razões que, literalmente, a própria razão desconhece. E que levante a mão quem não faz isso. Eu faço! Vergonhosamente, faço!! Ridiculamente, faço!!! Descontroladamente, faço!!!!

Fico com sono quando preciso terminar algum trabalho importante. Perco a hora da aula de Ioga. Chego atrasada no Pilates. Fico com preguiça de fazer caminhada. Fico com fome de chocolate e (horror!) me empanturro de bombons. Decido fazer faxina nos dias mais impróprios, só para não ter tempo de escrever meus textos. Repito, indiscriminadamente, atitudes e comportamentos indesejáveis pelo simples (des) prazer de repetir o que me incomoda tanto. Alimento culpas, raivas, remorsos... Me perco por um tempo longo demais navegando nas baboseiras diárias do Facebook, do Google+, nas páginas de horóscopo, em blogs inúteis (inclusive o meu), procurando músicas no 4shared e vídeos no Youtube.
Boicoto descaradamente meus projetos. Me perco em ciclos viciosos de relacionamentos frustrados e frustrantes.Tento culpar os outros e, roída de remorsos, tomo o caminho mais curto e passo a culpar a mim mesma. Fico triste por sentir culpa e com raiva por ficar triste e aí preciso me recompensar. A recompensa geralmente vem na forma de algo ainda mais autodestrutivo: chocolate, cama, TV e mais e mais vadiagem virtual, disfarçada de descanso.
Enquanto isso, insisto em criar listas e mais listas do que tenho de fazer, impondo-me "uma tonelada e meia de coisas para fazer". Diante da impossibilidade de fazer tudo (e ainda vadiar pela net, limpar a casa e fazer todas as atividades que me proponho diariamente), me culpo, fico triste e me recompenso das mais cruéis maneiras.
Sinto saudade do tempo em que não percebia isso. Do tempo em que poderia escrever esse texto sem receio dos castigos e, mais tarde, das recompensas, que me imporia. Do tempo em que as coisas eram menos claras, mais embotadas, menos conscientes e, consequentemente, menos dolorosas. Hoje, além das dores da culpa, da raiva, da tristeza, dos castigos e recompensas tortas, ainda tenho a consciência do processo.
Tô criando um sabotômetro... para registrar o que eu tenho feito comigo mesma.
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