terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Confissões

Confesso que errei
que quis mais que devia
que fiz mais que podia
que desejei mais que merecia

Confesso que fui estúpida
que acreditei demais
que esperei demais
que me entreguei demais

Confesso que me enganei
não, ninguém me enganou
fui eu mesma
ingênua
imatura
infantil

Confesso que cometi absurdos
que me deixei levar
para onde não queria ir
que me deixei calar
quando queria falar
que falei demais
quando devia calar

Confesso que enlouqueci
que vi fantasmas onde não havia
que ouvi vozes que só silenciavam
que dialoguei sem ter com quem

Confesso que exigi demais
de mim e de você
quis transparência
quando me ofusquei de mim mesma
quis desenhar caminhos
quando me perdia

Confesso que cometi abusos
que exigi demais e ofereci pouco
que quis guiar, mas estava perdida
que quis saber, mas me afundava em ignorâncias
que quis salvar, mas pedia socorro
que amei um amor de morte e de dor

Confesso que feri
com um amor cortante
amor que mutilou
que causou dor

Confesso
me sentencio
me penitencio

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Quando um não quer...

"Quando um não quer, dois não brigam", mas também não amam. Tanto o confronto quanto o amor pressupõem a existência e o reconhecimento do outro, com suas deficiências, belezas, complexidades e enganos.

É que amor é encontro e não existe encontro de um só. Os mais românticos diriam que é, sim, possível amar em silêncio, sem que o outro sequer saiba... o tal amor platônico. Mas, fato mesmo é que amor saudável e completo implica em encontros e compartilhamentos, ou seja, implica em comunicação. Sem comunicação, é como diz o velho ditado... a vontade de um só não é suficiente.

Amor só existe quando há um encontro de dois, quando as duas partes envolvidas se colocam à disposição para caminhar lado a lado. Amar, assim como viver, é dinâmica e não estática. Não existe amor parado, sem movimento, sem dança. E amar, assim como comunicar, é troca, é expressão. Não existe amor em silêncio completo, amor sem dizeres, amor sem revelações, amor que precisa adivinhar o que o outro silencia.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Retrospectivas

Dezembro se avizinha, com seus vermelhos, verdes e luzes. Tempo de relembrar, de revisar, de repensar condutas, histórias, demandas... Tempo de memórias e saudades. Tempo com gosto de infâncias e de passados. Tempos de revisitar tempos idos e preparar terrenos para tempos vindouros.


Dezembro é sempre meio melancólico. É hora de constatar que os planos e promessas feitas meses antes não foram concretizados... a dieta... a academia... a dedicação à família e aos amigos... a mudança de emprego... o tempo que deveria ser dedicado a nós mesmos e que insistimos em gastar com bobagens... o estresse que deveria ter sido controlado e só fez crescer desde janeiro...

Para mim, 2012 veio exatamente como eu planejei, ou seja, sem planejamento algum. Prometi, em janeiro, que não me deteria em planos e projetos que nos anos anteriores não consegui cumprir. E assim o fiz. Vivi simplesmente. Não me abstive evidentemente de pensar, decidir e agir, nem por um momento sequer, mas não prometi e nem arquitetei nada. Por isso, 2012 se encerra cercado de surpresas que, em janeiro, eu sequer suspeitava.

Mudanças de endereço, de estado civil, de emprego, de área de atuação profissional... curso novo... pessoas que se foram e tantas outras que chegaram trazendo luzes, cores e sabores diferentes. Comecei o ano casada e termino solteira. Comecei o ano desempregada e sem perspectivas e termino sem emprego fixo, mas com um horizonte de possibilidades. Comecei com problemas com meu filhote e termino sabendo que ele é meu melhor amigo.  Comecei o ano doente, deprimida e medicada e termino curada (sim! recebi alta do psiquiatra e do terapeuta... bando de gente louca!). Comecei o ano pensando em ser professora e termino com sonhos já bem encaminhados de ser advogada, promotora, juíza, desembargadora... ou nada disso... sei lá.

Nesse ano, descobri e redescobri muitas coisas. Redescobri, por exemplo, o poder de sonhar. Redescobri a família e me reconciliei com pessoas que amo muito, mas que estavam distantes. Vi gente muito querida adoecer (e me preocupei) e se curar (e celebrei). Percebi que, quando se tem uma mão para segurar é possível ir mais longe, desde que essa mão queira ir na mesma direção que a gente e que a busca compartilhada é mais gostosa e divertida. Descobri que, às vezes, é preciso deixar quem se ama para que essa gente possa seguir seu caminho e a gente, o nosso. Descobri a força do começo e do recomeço.


Redescobri minha sanidade e minha saúde e descobri uma insuspeita força espiritual. Percebi que não estou sozinha e que tenho muitos protetores e guias me orientando pelo caminho, embora as escolhas sejam sempre minhas, com todas as consequências que elas trazem, e as respostas quase nunca sejam claras. Descobri que sou grande e sou forte (embora não seja filha do norte) e minha maior força vem da capacidade de ajudar e que quando eu seguro a mão de alguém essa pessoa também segura a minha e o poder se multiplica. 

Vivi momentos de dor, de perda e também de uma alegria calma e serena. Vivi o luto de um grande amor que se foi, para nunca mais, o desespero, o desamparo, o destempero da perda... e vivi as alegrias de encontros e reencontros. Chorei até dormir e acordei cheia de uma alegria inexplicável, daquelas que colorem o mundo em volta. Tive momentos de querer desistir e outros de me encantar com a beleza da dança dos desafios e vitórias. Vim, vi, vivi e venci. Principalmente, venci meus próprios medos e minhas próprias angústias. Me libertei das amarras e barreiras que eu mesma me impus.

Não me arrependo de decisões tomadas e não me queixo dos sofrimentos e das dores, embora não me orgulhe totalmente de tudo o que fiz, já que acabei provocando sofrimentos também. Me fortaleci com isso tudo. Aprendi. Cresci. E 2012 deixa, para mim, uma lição importante: sempre há uma lição a se aprender com o que quer que seja. Sempre se pode crescer e melhorar com todos os fatos da vida. Cabe a nós perguntar "o que se deve aprender com isso".


Foi um ano muito rico em todos os sentidos (menos o financeiro,infelizmente!). Um ano marcante, um divisor de águas, o ano em que me apaixonei por mim mesma, mesmo reconhecendo todos os erros, enganos e equívocos.

Que venha o Natal, com suas luzes e festas. Que venha o Reveillon com seu clima de despedida e, principalmente, que venha 2013, com suas promessas e com seu cheirinho de coisa nova. E, prometo não prometer nada para 2013, exceto ser FELIZ!!

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Escolhas

A vida é mesmo cheia de altos e baixos, gordos e magros, belos e feios, louros e morenos... Ela é feita de contrastes e paradoxos. E é feita de momentos bons e outros nem tanto. E, especialmente, ela é feita de escolhas. Não só no sentido Cecília Meireles, mas também, e principalmente, no sentido Cora Coralina.



Ou isto ou aquilo


Ou se tem chuva e não se tem sol
ou se tem sol e não se tem chuva!
 
Ou se calça a luva e não se põe o anel,
ou se põe o anel e não se calça a luva!
 
Quem sobe nos ares não fica no chão,
quem fica no chão não sobe nos ares.
 
É uma grande pena que não se possa
estar ao mesmo tempo em dois lugares!
 
Ou guardo o dinheiro e não compro o doce,
ou compro o doce e gasto o dinheiro.
 
Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo . . .
e vivo escolhendo o dia inteiro!
 
Não sei se brinco, não sei se estudo,
se saio correndo ou fico tranqüilo.
 
Mas não consegui entender ainda
qual é melhor: se é isto ou aquilo.





segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Cinza de quarta-feira

Depois de tanta cor, tanto brilho
tanta serpentina e confete
tanta pluma e lantejoula
tanto som, tanta festa
tanta alegria e tanto amor
Eis que o Carnaval se vai
e leva junto as cores do mundo
os sons do coração
as alegrias da alma
e deixa o vazio, o oco
antecipam-se os lamentos da quaresma
longa e tenebrosa
as penitências... as vias-sacras... os suplícios
Sabendo disso, a quarta-feira chora, cinza-chumbo
e se congela de sofrer e de saudades

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Só por hoje

Só por hoje eu quero
sua pele na minha
sua boca na minha
seu corpo no meu
Quero seu cheiro
seu calor
seu sussurro
seu suspiro
sua loucura
Hoje eu quero
sua alma enroscada na minha
sua ideia embaralhada na minha
seu coração juntinho do meu
Hoje eu quero
você em mim e só
Só por hoje
E que todos os dias sejam hoje

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Te amei assim...

É... eu te amei sim!
E te amei assim
Tanto que  que exagerei
Que quase nem sobrou mais amor
para mim e mais ninguém

Te amei assim

E de tantos jeitos...
De corpo inteiro
Com a alma toda
Com a mente louca
e o coração
Ah! O coração...
Achei que pararia sem você por perto
Ele, que já nem me pertencia
Era seu e só
Inteiro
Inundado de você
Insano
Incompleto sem você

Te amei assim

Amor intruso
que me invadiu inteira
se embrenhou na vida toda
tomou conta de tudo
Até eu não saber mais quem era eu
Até eu perder os limites
Até eu ficar sem sentido
Até eu me perder de mim
Até eu só existir em você

E te amando assim

vivi uma vida toda
uma vida que deixou de ser minha
que virou coisa sua

Foi assim que te amei

Bem assim!